Tento coordenar os meus sentidos e ganhar consciência de que
tenho de continuar.
Há bocados de mim espalhados neste chão, partes desarranjadas
que já ninguém pode reparar.
Há o silêncio de já não te ter, há o vazio da tua falta.
Há pedaços de sonhos meus nas luzes tremulas que chegam da rua.
E os barulhos distantes fazem todo o sentido neste decadente compasso em que eu me vi tornar.
Qual é a parte de mim que ainda te tem?
Que resto teu ficou colado no meu corpo?
Este resto tão supremo no meu ser, que me implica viver em teu nome.
O resto de ti que esforço para que me preeencha, porque não quero mais nada em mim.
Fui demasiado tua para voltar a ser de mais alguém.

Sem comentários:
Enviar um comentário