quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vento do Norte


Qual é a minha essência.
Que aroma sentes quando o vento passa por mim.
Que som se solta quando eu sinto esta necessidade de te dizer.

Que parte de mim levas contigo, qual é a expressão que acabas por recordar.  

Qual é a piada de que nos rimos que tu voltas a contar.

Qual é o vento do norte que eu insisto em não seguir.

Este vento que teima em orientar-me quando tudo o que mais quero é viver assim, à deriva.
Porque a vida virou-me do avesso, tirou-me o chão e a razão. E eu descobri que é à deriva que se fazem as grandes conquistas, é o desconhecido que me faz viver tão intensamente. Porque o avesso, é afinal, o meu lado certo.

Qual é o vento de norte que passa por mim e me deixa intacta. Eu não tenho norte.

domingo, 28 de outubro de 2012

Começar de Novo

  
Começar do zero
Vou deixar que o mundo me traga o que de doce ele tem.
Vou dizer que sim quando me apetecer e vou deixar.
Vou recomeçar, vou voltar a sentir os raios da lua a encantarem-me e vou deixar-me apaixonar pelo próximo, como foi sempre tão característico em mim.
Porquê?
Porque vivo fascinada pelas pessoas, por todas. E não quero deixar que a dor que sinto mude isso. Vou sorrir com o riso daquela criança inesperado na rua.
Vou abraçar alguém e chorar no colo de alguém. E vou agradecer ter aquele colo. E aquela pessoa.
Não irei começar do zero, seria impossível começar do zero com tanto do que me preenche. Mas vou recomeçar.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Demasiado Tua


Tento coordenar os meus sentidos e ganhar consciência de que tenho de continuar.
Há bocados de mim espalhados neste chão, partes desarranjadas que já ninguém pode reparar.
Há o silêncio de já não te ter, há o vazio da tua falta.
 
Há pedaços de sonhos meus nas luzes tremulas que chegam da rua.
E os barulhos distantes fazem todo o sentido neste decadente compasso em que eu me vi tornar.
 
Qual é a parte de mim que ainda te tem?
Que resto teu ficou colado no meu corpo?
Este resto tão supremo no meu ser, que me implica viver em teu nome.
O resto de ti que esforço para que me preeencha, porque não quero mais nada em mim.
 
Fui demasiado tua para voltar a ser de mais alguém.